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Furnas
Área de Paisagem Protegida
Esta área possui cerca de 3150 hectares, implantados no interior da caldeira do Vulcão das Furnas.
As Furnas são bastante conhecidas pelos banhos termais, o uso de lamas vulcânicas e a utilização de águas minerais, que são exemplos de manifestações geoculturais locais, de que é elemento mais emblemático o “Cozido das Furnas”, um prato gastronómico cozinhado em covas, durante 5 a 6 horas, no solo quente do vulcão.
São também consideradas uma das maiores hidrópoles da Europa, devido à grande variedade de nascentes de águas minerais e termais. Destas destaca-se a Poça da Beija, nascente de água quente apreciada pelos benefícios medicinais.
A classificação desta área protegida teve por base toda a singularidade geomorfológica e hidrológica da Caldeira das Furnas, de forma elíptica e diâmetros máximo e mínimo de 8 e 5,6 quilómetros, respetivamente. Nesta caldeira destacam-se a Lagoa das Furnas, com cerca de 200 hectares de superfície, cones de escórias, anéis de tufos e domos traquíticos (como os do Pico do Ferro), campos fumarólicos e um grande número e variedade de nascentes, águas minerais e termais.
No passado, esta área apresentava uma grande mancha de floresta natural que foi sendo gradualmente explorada. Atualmente, nas comunidades vegetais dominantes, verifica-se um grande número de espécies exóticas, algumas de caráter invasor como a gigante (Gunnera tinctoria) e a acácia (Acacia melanoxylon). Pontualmente, surgem espécimes de flora natural endémica individualizados ou em pequenos grupos como azevinho (Ilex azorica), folhado (Viburnum treleasei), louro-da-terra (Laurus azorica), entre outros. As margens da lagoa possuem uma grande riqueza de briófitos, evidenciando-se as hepáticas folhosas.
O projeto de recuperação desta lagoa tem reintroduzido milhares de plantas endémicas e nativas, que rareavam ou se encontravam extintas neste local, como o pau-branco (Picconia azorica), o cedro-do-mato (Juniperus brevifolia) e o sanguinho (Frangula azorica).
Relativamente à avifauna, a Lagoa das Furnas constitui um excelente local para observar a garça-real (Ardea cinerea). A área florestada à sua volta funciona com fonte de alimento e abrigo, o que permite a observação das várias subespécies endémicas da Região como o tentilhão (Fringilla coelebs moreletti), a estrelinha (Regulus regulus azoricus) e o milhafre (Buteo buteo rothschildi).
A zona envolvente caracteriza-se por uma elevada riqueza em espécies de invertebrados, alguns dos quais endémicos. Pode também ser encontrado o morcego dos Açores (Nyctalus azoreum). Relativamente à fauna aquática, habitam a lagoa ruivos (Rutilus rutilus), carpas (Cyprinus carpio), e lúcio (Esox lucius), entre outros.
Na margem sul da lagoa está implantado o Centro de Monitorização e Investigação das Furnas, com informação relevante sobre a história das Furnas, este geossítio e o plano de recuperação da sua massa de água.
Para além da visita a diversos miradouros, nesta área protegida pode percorrer-se trilhos pedestres, como é o caso dos trilhos Lagoa das Furnas (PRC06SMI) e Pico do Ferro (PRC22SMI).
O Complexo Vulcânico das Furnas está classificado como Sítio Ramsar desde 2008, ao abrigo da Convenção sobre as Zonas Húmidas, e integra uma Zona de Proteção Especial (ZPE) no âmbito da Rede Natura 2000. A Lagoa das Furnas está ainda classificada como massa de água protegida através do Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas (POBHLF). Em conjunto com outras áreas protegidas dos concelhos de Povoação e Nordeste, detém o galardão Carta Europeia de Turismo Sustentável em Áreas Protegidas (CETS), atribuído pela Federação EUROPARC.