3.jpg

Foca-cinzenta juvenil avistada na Graciosa

foca grw

 

No final do mês de dezembro foi avistada na Graciosa uma foca-cinzenta juvenil ferida. O animal pode ter-se perdido devido a causas naturais, como abandono ou perda da mãe, erro de navegação ou separação durante uma tempestade. “De acordo com a Comissão Científica da RACA (Rede de Arrojamentos de Cetáceos dos Açores), neste caso específico, por se tratar de um animal tão juvenil, é provável que tenha vindo até aos Açores por causas naturais, ligadas ao abandono ou perda da mãe, erro de navegação, separação durante tempestade, ou outra”, disse Frederico Cardigos, Diretor Regional dos Assuntos do Mar, a DI. A foca-cinzenta juvenil foi avistada primeiro no dia 25 de dezembro, nas piscinas do Carapacho. Depois, voltou a ser observada nos dias 30 e 31 de dezembro, noutros pontos da ilha Graciosa um olhar mais atento revelou que o animal estava ferido e subnutrido. “Da primeira vez que foi avistada, permaneceu dentro de água, não tendo sido possível averiguar a sua condição física. No entanto, nos últimos dias de dezembro, o animal já foi observado em terra. Nesse momento, foi possível averiguar que se trata de uma foca-cinzenta (Halichoerus grypus) juvenil com uma ferida na zona da cauda, provavelmente resultado de um ataque de um predador eventualmente um tubarão. É ainda claramente visível que esta foca está subnutrida e bastante debilitada” adiantou o responsável.
PLANO DE RESGATE: A Direção Regional dos Assuntos do Mar pôs em marcha um plano de salvamento da foca-cinzenta, caso volte a ser avistada. O objetivo será capturá-la, fornecer-lhe tratamentos primários e encaminhá-la para o Centro de Quiaios da Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem. Daqui, após a recuperação, seguirá para as costas da Irlanda, para tentativa de retorno do animal ao seu ambiente natural. “O manuseamento do animal só deve ser feito por pessoas experientes e treinadas, para evitar qualquer risco de saúde e segurança públicas. Todos os cidadãos poderão contribuir para o resgate desta foca, contactando o Parque Natural de Ilha no caso de avistamento (contacto: 91 3398553, 91 6056431 e 295403870)”, disse o diretor regional. O primeiro passo na elaboração do plano foi o contacto com o Seal Rehabilitation and Research Centre, sedeado na Holanda, que já noutras situações relacionadas com focas colaborou com a RACA, através do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores. A Polícia Marítima estabeleceu depois um perímetro de segurança para quando a foca for avistada em terra. “Dado ser um animal selvagem debilitado, com potencial de transmitir doenças e/ou de ferir um ser humano, demos prioridade à manutenção de um perímetro de segurança”, disse. Para além do centro, estão também a colaborar no salvamento da foca-cinzenta o instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, a Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem, bem como a SATA, que já manifestou disponibilidade para transportar o animal entre a Graciosa e o Porto. “Antes de poder decidir por um curso de ação, a Direção Regional dos Assuntos do Mar, como entidade coordenadora da RACA, teve de reunir toda a informação pertinente das entidades que se especializam ou tenham experiência com pinípedes e eventos deste género e as que de outra forma poderão contribuir para a sua resolução”, sustentou o responsável. De acordo com a RACA, foram registadas nos Açores 12 ocorrências de focas na região nos últimos dez anos.

 

Fonte: Diário Insular