O Corvo em destaque na mostra da Rede Portuguesa de Reservas da Biosfera

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A Assembleia da República, a Comissão Nacional da UNESCO e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, inaugurou no dia 2 de julho, no Átrio do Edifício Novo da Assembleia da República, uma Mostra e Colóquio sobre as Reservas da Biosfera Portuguesas pertencentes à Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. Esta mostra integrou-se no âmbito das orientações estratégicas do Programa Científico da UNESCO "O Homem e a Biosfera”. Portugal conta com sete Reservas da Biosfera: Boquilobo, Corvo, Graciosa, Flores (nos Açores), Santana (Madeira), Berlengas (Peniche) e a Reserva Transfronteiriça Gerês/Xurés. No sentido de promover e reforçar a coesão e dinâmicas destas Reservas, a Comissão Nacional da UNESCO, criou sob a sua égide, a Rede Portuguesa de Reservas da Biosfera.

No dia 3 de julho teve lugar o Colóquio sob o tema “Reservas da Biosfera: Laboratórios de sustentabilidade”, onde foram apresentadas as sete Reservas da Biosfera e salientadas as atividades desenvolvidas nestes territórios, bem como apresentada a Rede Portuguesa de Reservas da Biosfera e a cooperação estabelecida, no espaço da CPLP.

A delegação dos Açores foi coordenada pelo Engenheiro Emanuel Veríssimo - Diretor de Serviços da Conservação da Natureza, da Direção Regional do Ambiente, que organizou - junto das 3 Reservas da Biosfera dos Açores, Corvo, Graciosa e Flores – a recolha de diverso material promocional, bem como todo o género de material de divulgação disponível. Para além deste material, procedeu-se ao envio de uma grande variedade de produtos regionais, como: vinhos, doces, queijos, biscoitos, pão, ou seja, o que de mais emblemático estivesse disponível em cada uma das Reservas, de forma a proporcionar às personalidades convidadas, um momento de degustação de produtos regionais.

O programa estipulou o dia 3 de julho, como o dia das Reservas dos Açores, cabendo ao stand a responsabilidade de dinamizar e animar o espaço com apontamentos culturais característicos da região.

Esta iniciativa foi, não só, uma excelente promoção para as Reservas da Biosfera dos Açores, como para os produtos que ostentam a sua marca.

Campanha “Açores Entre Mares” – 2013 na ilha do Corvo

 

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Em 2008, o dia 20 de Maio foi instituído como Dia Europeu do Mar, tendo em vista o objetivo de promover uma maior envolvência entre as temáticas marinhas e os cidadãos.

Foi neste enquadramento que em 2010 foi criado o “Açores Entre Mares”. Durante 20 dias, realizam-se na região centenas de ações, que são promovidas e realizadas por diferente entidades, que visam a promoção do conhecimento e da utilização sustentável do Mar dos Açores, programa este coordenado pela Secretaria Regional dos Recursos Naturais, através da Direção Regional dos Assuntos do Mar.

No âmbito da Campanha “Açores Entre Mares 2013” o Parque Natural do Corvo promoveu 11 atividades (que contaram com a participação de 195 pessoas), que tinha como tema central “Como usar o mar”.

Os eventos decorreram entre 20 de maio e 8 de junho, realizando no primeiro dia um Passeio de Barco à volta da ilha - atividade selecionada para a abertura oficial da campanha deste ano na região. A viagem de barco contou com a participação de cerca de 40 pessoas que tiveram oportunidade de apreciar as belezas naturais, a fauna e a flora existentes no litoral da nossa Ilha, com um aliciante extra, visitar as fajãs que resultaram da derrocada ocorrida em finais de outubro passado, na costa noroeste do Corvo.

Ainda no dia 20, apresentamos uma sessão de cinema aberta ao público, com a exibição do filme “O Grande Milagre”.

Integrou também o calendário de eventos, a visualização do documentário “Os Últimos Baleeiros” dirigido aos utentes do Lar de Idosos, da Santa Casa da Misericórdia; A realização do 2º Censo da Aves Comuns que engloba diversos pontos da Ilha; Visita guiada às instalações da Lotaçor - para os alunos da Pré-primária - Jardim de Infância “Planeta Azul”, bem como os alunos da Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira - onde lhes foi apresentado e explicado todo o processo da venda e exportação do pescado ali recebido. Ofereceu-se ainda uma palestra acerca da “Pesca do Atum” e uma Consulta Pública sobre a “Estratégia Nacional para o Mar”.

Pelo segundo ano consecutivo efetuou-se uma limpeza da orla costeira - que privilegiou o Cais e Rolo do Porto da Casa, de onde foram removidos cerca de 500 kg de resíduos das mais diversas tipologias - que contou com a ação empenhada do Corpo Nacional de Escutas (CNE - Corvo) e da Delegação das Obras Públicas das Flores e Corvo, disponibilizando a viatura para o transporte dos resíduos recolhidos.

O nosso destaque vai para a atividade do “Dia Europeu dos Parques Naturais”, que foi assinalado com a realização de um intercâmbio promovido e dinamizado de forma conjunta, pelos Parques Naturais do Corvo e das Flores, atividade que contou com a colaboração da Capitania do Porto das Flores que patrocinou a viagem de barco a 14 florentinos (que deram por bem passado um belo dia de sábado) que através de uma visita guiada, conheceram as belezas da Ilha do Corvo, bem como as áreas protegidas do seu Parque Natural.

No dia 8 de junho e para assinalar o encerramento da campanha, o Parque Natural promoveu um agradável passeio pedestre até à Vigia da Baleia, que se localiza no Pico João de Moura, que contou com a participação de 25 pessoas. Estas após visitarem a referida Vigia, assistiram a uma explicação, proferida pelo Senhor Manuel Rita, que descreveu a função dos vigias, bem como os processos utilizado por estes, para transmitirem aos colegas, a localização da baleia detetada.

As atividades promovidas abrangeram temáticas tão diversas como: Turismo, documentários; processamento de peixe; educação ambiental; Passeio de Barco; Projeção de filmes e documentários sobre baleação; Visitas de estudo; observação de aves e Património baleeiro.


Autor: PNC

Caldeirão – Sítio RAMSAR

 

A riqueza biológica dos Açores, nomeadamente em termos de zonas húmidas, faz com que estes ecossistemas sejam dos mais ricos e produtivos do mundo, sendo a água o seu elemento estruturante. A estes espaços associam-se valores tão diversos, como o controlo de inundações (retenção do excesso de água), a reposição de águas subterrâneas, a regulação do ciclo da água, entre outras.

 

Nos Açores foram oficialmente designados 12 sítios Ramsar, que totalizam aproximadamente 13 mil hectares, que se destacam pela sua raridade no contexto internacional, nomeadamente as zonas húmidas do tipo geotérmico ou turfeiras com vegetação arbórea. Estes enquadram-se plenamente nos objetivos da Convenção Ramsar por serem exemplos representativos de cada tipo de zona húmida presente nesta região biogeográfica e desempenharem um papel importante, ao nível hidrológico, no funcionamento de sistemas completos de bacias hidrográficas ou de costa.


De facto os Açores são uma área primordial no país, não só em termos de extensão de zonas húmidas mas também em diversidade tipológica e grau de conservação das mesmas. Pode-se mesmo dizer que as zonas altas da maioria das ilhas do arquipélago são ocupadas por vegetação húmida, predominantemente turfeiras.


Estas destacam-se igualmente pelos valores culturais, turísticos e recreativos, sendo atualmente, muito procuradas para a prática do ecoturismo.


O Caldeirão do Corvo - graças à riqueza do seu ecossistema, foi classificado em junho de 2008, como Sítio Ramsar – que para além, de uma importante zona húmida é o grande ex-libris desta ilha. A base deste complexo é dominada por um sistema de zonas húmidas e por duas lagoas, alimentadas pela água das chuvas, pela água acumulada nos espessos tufos de musgão (turfeiras) existentes nas vertentes viradas a norte e pela condensação da humidade atmosférica.


As vertentes interiores da caldeira funcionam como um gigantesco funil de coleta de águas que é canalizada para o fundo da Caldeira. A área em causa representa um elevado valor patrimonial. É de salientar que as maiores e mais antigas turfeiras do país existem apenas nas ilhas do Corvo e das Flores. Para além de constituírem um refúgio de espécies endémicas, são uma fonte de suporte hídrico destas ilhas. Estes habitats, pela sua localização geográfica no Atlântico, são também importantes enquanto áreas de descanso e alimentação de aves migratórias. Pelos motivos apresentados – e por que 2013, foi consagrado pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional para a Cooperação pela Água - se reitera, o interesse público na proteção de tão importante e sensível ecossistema.


Autor: PNC

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Do Corvo para o prato: Qualidade e Sustentabilidade

 

Gosta de peixe? Se é um apreciador de peixe e quem sabe se por acaso está neste momento a olhar para uma boa posta de atum, ou um delicioso pargo grelhado preparado para atacar essa deliciosa refeição, ainda que lhe custe pare por um momento e pergunte-se sobre a origem desse peixe que se encontra deitado e rodeado por uma boa cama de batatas salpicadas com um bom azeite e alho claro.


A principal atividade dos corvinos é a criação de gado mas quem por cá anda ou aqui esteve, sabe que o Corvo é muito mais do que isso.


O peixe aqui provém de uma pequena frota artesanal, cerca de 6 barcos, na maioria capturado por palangre de fundo e sem capturas acessórias. Por aqui pesca-se maioritariamente goraz, alfonsim, imperador, pargo e preferencialmente cherne o que infelizmente já é mais difícil de acontecer.


Inicia-se a faina sempre que o mar o permite e mais regularmente com o aproximar do verão já que o mar e o vento unem-se e fustigam a ilha muitas e muitas vezes. Mas sempre que possível os pescadores metem-se ao mar e procuram o peixe, umas vezes mais, outras menos, é esta a vida do pescador, mas sempre com a garantia, de que o faz com qualidade e elevado sabor. Exemplo disso é a sua exportação para o continente português e Espanha.


Voltando à sua refeição, saboreie, agradeça ao peixe e ao pescador e lembre-se: compre peixe que provenha das frotas artesanais, estará a contribuir para os pescadores locais, a apostar na qualidade e não na quantidade e principalmente a contribuir para a gestão e conservação do mesmo peixe que agora se encontra na sua frente para lhe saciara o apetite.


Autor: T. Pippa (SPEA)

Prato de_peixe

 

A observação de aves na Ilha do Corvo

Painho monteiro

Hoje o arquipélago açoriano - para além das reconhecidas potencialidades ao nível da observação de cetáceos, do mergulho e da caça submarina - integra o circuito do Birdwatching internacional, está inclusive referenciado como sendo o local mais importante para a observação de aves de ocorrência acidental.

A partir de 2005, este fenómeno tornou a ilha do Corvo um local de referência para ornitólogos e Birdwatchers que aqui se deslocam com o intuito de encontrar espécies da América do Norte na Europa. Ao longo dos meses de outubro e novembro esta ilha regista um inusitado movimento de turistas que, equipados com potentes teleobjetivas e tripés, palmilham os locais mais recônditos, para avistarem aves raras. E as possibilidades de serem bem-sucedidos, não têm paralelo no contexto europeu. Este tipo de turismo – que chega a esgotar a capacidade hoteleira da ilha – proporciona importantes receitas para a economia local.

Dada a sua posição geográfica, assente sobre a placa tectónica americana – situando-se praticamente à mesma distância da Península Ibérica e da Terra Nova – o Corvo insere-se numa das principais rotas migratórias entre a América do Norte e a Europa. Anualmente chegam ao Corvo dezenas de aves que aqui encontram condições para descansar e se alimentar, podendo fazê-lo por algumas horas, durante semanas ou até meses.

Desta forma os ornitólogos conseguem avistar, não só espécies nativas, como espécies migradoras que, eventualmente, nunca foram vistas no continente europeu. Ainda há poucos meses, após os fortes ventos de Leste que se fizeram sentir, foram observados na ilha do Corvo, três Grous comuns (Grus grus), dois adultos e um juvenil. Esta espécie passa o inverno no sul do continente português, mas o mais curioso é que já não era observada nos Açores desde 1933. No Corvo foi a primeira vez que tal sucedeu. Ao longo de várias semanas foram avistadas em diferentes locais, embora com maior frequência no interior do Caldeirão, um dos sítios mais importantes para a observação de aves na ilha do Corvo, e particularmente referenciado pelas publicações da especialidade. Já no início deste ano, registou-se a observação (junto à costa) de uma Garça-real americana (Ardea herodias), migradora rara do Neárctico. Mas já no ano passado foram observadas outras espécies raras, das quais destacamos: o Abetouro americano (Botaurus lentiginosus) e a Mobelha-grande (Gavia immer), avistadas pela primeira vez na ilha do Corvo.

Perante isto não restam dúvidas, que a ilha do Corvo é efetivamente um local privilegiado para a prática do turismo ornitológico.

 

Autor: PNC Foto: SIARAM