O Centro de Recuperação de Aves Selvagens do Corvo tem novo inquilino

 

Milhafre
O Centro de Recuperação de Aves Selvagens (CRAS) recebeu um Milhafre juvenil (Buteo buteo rothschildi), enviado pelo Serviço de Ambiente da Terceira. O transporte da ave para o Corvo contou com o apoio da transportadora aérea regional – SATA Air Açores – que desenvolveu as diligências necessárias para a transferência em segurança e conforto da debilitada ave.

A criação do CRAS surgiu na sequência de uma iniciativa de dois cidadãos do Corvo, imediatamente apoiada pelo Governo Regional. Desta forma, dotou-se os Açores de uma estrutura, única no arquipélago, para recuperar e reabilitar aves selvagens. Este Centro desenvolve também importantes ações ao nível da educação ambiental e da preservação de espécies. O equipamento integra um espaço com as condições adequadas ao tratamento das aves e inclui também um espaço exterior (ampliado em finais de 2012), onde se disponibilizam as condições adequadas à recuperação e reabilitação das espécies. É aqui que se processa a transição entre o cativeiro e a liberdade. O centro pode ser visitado, bastando para tal, que os interessados se dirijam aos serviços do Parque Natural do Corvo, para previamente efetuarem a marcação.

A ave foi recolhida por um particular da Ilha Terceira, que a reencaminhou para uma Clínica de Veterinária da cidade de Angra do Heroísmo – para que esta fosse tratada ao ferimento que apresentava numa das asas. Esta clínica prestou graciosamente os cuidados médicos durante o período em que a ave permaneceu naquela ilha.

O animal apresentava falta de penas primárias e secundárias, motivo provável para a impossibilidade de voar. Foi esta deficiência que justificou o seu envio para o CRAS, onde realizará a sua recuperação e reabilitação. Apenas desta forma se poderá garantir que o seu regresso ao habitat natural aconteça com sucesso. Como esta espécie não ocorre naturalmente no Corvo e nas Flores, é imprescindível que a ave seja devolvida à natureza numa das restantes ilhas dos Açores, onde é comum, e, preferencialmente, na mesma unidade geográfica em que foi encontrada.

Esta ave de rapina, cuja subespécie é endémica dos Açores, reproduz-se em zonas florestais ou pequenos bosques na proximidade de prados, pastagens, campos agrícolas e outros. Alimenta-se de ratos, aves, coelhos, répteis, anfíbios, insetos e minhocas. Para além da beleza do seu voo e espetacularidade do seu grito, o milhafre é um importante elemento estruturante do ecossistema terrestre das ilhas dos grupos Central e Oriental dos Açores. Estas razões justificam a sua proteção no arquipélago dos Açores, o que impossibilita a sua caça e obriga a que sejam desenvolvidos esforços para a sua proteção ativa.

Autor: Parque Natural

Parque Aberto - Visita à Casa do Bote Baleeiro

 

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O Parque Natural do Corvo promoveu, no âmbito do programa Parque Aberto, uma visita guiada à recém-construída “Casa do Bote”, equipamento que perpetuará a memória histórica do passado baleeiro do Corvo.

Instalado junto do espaço cultural - Multiusos do Corvo, dispõe de três computadores, que conduzem os visitantes até às vivências do passado na ilha através de mais de 500 fotografias do príncipe Alberto I do Mónaco, recolhidas aquando das visitas que este efetuou aos Açores.

A Casa do Bote foi construída com madeira de pinho, de forma a recuperar o traçado das antigas casas de botes baleeiros, caraterísticas dos Capelinhos, na ilha do Faial, sendo o chão em pedra de calhau rolado.

Na atividade realizada sábado, dia 15 de março, os visitantes puderam apreciar um bote baleeiro construído em 1965 de nome “O Corvino”, em honra de um antigo bote da ilha, e que foi adquirido pela autarquia Corvina na ilha Graciosa e recuperado na ilha do Pico, de forma a preservar a memória histórica do passado baleeiro do Corvo.

Os participantes - que ultrapassaram as três dezenas -, além de visitarem as instalações daquela casa, puderam assistir à explicação proferida pelo antigo autarca Manuel Rita sobre as diferentes secções, bem como a forma de navegar desta emblemática embarcação que se destacou na faina à baleia, que durante décadas foi particularmente importante para a sobrevivência de muitas famílias nas 9 ilhas açorianas.

A atividade contou com as parcerias do Corpo Nacional de Escutas (CNE) - Agrupamento 1181 do Corvo, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e Câmara Municipal do Corvo, através do programa “Corvo em Movimento”.

A Zona Húmida do Caldeirão

 

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Graças à importância do seu ecossistema, o Caldeirão do Corvo (classificado em 2008, como sítio RAMSAR) integra o grupo das 31 Zonas Húmidas de Importância Internacional existentes em Portugal. A base deste complexo é dominada por um sistema de zonas húmidas e por duas lagoas, alimentadas pela água das chuvas, pela água acumulada nos espessos tufos de musgão (turfeiras Sphagnum spp.) existentes nas vertentes viradas a norte e pela condensação da humidade atmosférica.

A riqueza biológica dos Açores, nomeadamente em termos de zonas húmidas, faz com que estes ecossistemas sejam dos mais ricos e produtivos do mundo, sendo a água o seu elemento estruturante. A estes espaços associam-se valores tão diversos, como o controlo de inundações (retenção de água), a reposição de águas subterrâneas, a regulação do ciclo da água, entre outros.

Estes habitats, pela sua localização geográfica no Atlântico, são também importantes enquanto áreas de descanso e alimentação de aves migratórias, e destacam-se, igualmente, pelos valores culturais, turísticos e recreativos, sendo atualmente, muito procuradas para a prática do ecoturismo.

Considerando todo esse interesse, o Parque Natural do Corvo promove várias ações de divulgação, e sensibilização, nomeadamente visitas como a realizada a propósito do Dia Mundial das Zonas Húmidas, inserida no âmbito do programa Parque Aberto e que teve como objetivo dar a conhecer aos participantes a importância das turfeiras.

Os participantes, mais de duas dezenas, aproveitaram uma tarde de sábado para visitarem o Morro dos Homens, no rebordo sul do Caldeirão, com 718 metros de altura acima do nível médio do mar, ficando assim, a conhecer uma área com elevado valor patrimonial.

É de salientar que as maiores e mais antigas turfeiras do país existem apenas nas ilhas do Corvo e das Flores, sendo do interesse público a proteção de tão importante e sensível ecossistema.

Produção de plantas endémicas, hortícolas e ervas aromáticas

 

No âmbito do projeto Life “Ilhas Santuário para as Aves Marinhas” - que decorreu entre 2009 e 2012 – a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) procedeu à instalação de um Estufim, no recinto da Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira.

A criação deste Estufim visou a produção de plantas endémicas, para posterior plantação na Reserva Biológica do Corvo e Reserva de Altitude, contribuindo desta forma, para a recuperação da cobertura vegetal que em tempos se estendia pela ilha.

Após a realização de algumas atividades junto da Escola, verificou-se que os alunos participavam ativamente nestas ações, pelo que se considerou que fazia todo o sentido que o projeto viesse a contemplar a vertente pedagógica, direcionada para a vertente da educação e sensibilização ambientais, e que a sua integração seria um importante contributo para o sucesso do mesmo.

Terminado o projeto (final de 2012), houve a necessidade de manter aquela estrutura, de forma a dar continuidade à produção de endémicas – agora em menor quantidade - e às ações de cariz pedagógico. Com essa finalidade celebrou-se um “Acordo de Cooperação”, que define as competências que cabem a cada um dos quatro signatários - SPEA, Parque Natural da Ilha do Corvo, na qualidade de representante da Secretaria Regional dos Recursos Naturais, Câmara Municipal do Corvo e Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira.

Estando a decorrer o Plano Pós Life, sob coordenação da SPEA e participação da Secretaria Regional dos Recursos Naturais, através do Parque Natural do Corvo e, uma vez, que a necessidade de produção de endémicas se tornou menor registou-se a libertação de espaço, que poderia ser ocupado por outras espécies.

Assim sendo (para além da produção de endémicas), optamos por produzir hortícolas e plantas aromáticas, de formaEstufa site a criar uma pequena horta biológica, que vai não só, ao encontro da vertente pedagógica, como contribui ainda, para sensibilizar a população local para a importância do consumo de produtos frescos.

A implementação desta nova dinâmica proporcionará, certamente, maior visibilidade ao plano, bem como às ações que se venham a desenvolver.

Autor: Parque Natural do Corvo

Visita guiada à Central Termoelétrica

 

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O Parque Natural do Corvo promoveu no último dia 1 de dezembro, a realização de uma visita guiada à Central Termoelétrica da Ilha, no âmbito das atividades do programa Parque Aberto. A iniciativa visou proporcionar, ao grupo dos cerca de 40 participantes, uma visita às instalações daquela central e, em simultâneo conhecer, in loco, a forma de produção da energia elétrica que abastece os lares corvinos.

A ação, realizada em parceria com a elétrica açoriana, foi coordenada pelo responsável técnico da Central Termoelétrica do Corvo, tendo um dos colaboradores da EDA acompanhado a visita, após a qual o Diretor do Parque Natural - fornecidas algumas indicações sobre a abrangência do projeto “Corvo Sustentável” - sensibilizou os presentes para a importância do aproveitamento dos nossos recursos energéticos renováveis e a necessidade de observarmos (diariamente) práticas conducentes à poupança de energia.

Na sequência destas indicações, procedeu-se à distribuição do magnético “Poupe energia. Poupe o planeta!”. Trata-se de material de sensibilização que integra o projeto TRES, que tem como principal objetivo contribuir para potenciar as energias renováveis nos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias.

A sua inauguração, que aconteceu a 20 de junho de 2007, veio dotar o Corvo de uma Central Termoelétrica equipada com tecnologia que permite o seu funcionamento automático e autónomo, sem a presença humana.

A construção desta moderna central elétrica representa o início de um projeto mais ambicioso, que permitirá o aproveitamento de recursos energéticos endógenos e renováveis, possibilitando assim, que o Corvo venha a reunir condições para dispor de um sistema integrado de energias alternativas que conjugará, para além dos painéis solares (a decorrer a segunda fase da sua instalação e que se insere no projeto Corvo Sustentável), energia eólica e energia hídrica.

Com a conjugação destes recursos, o Corvo atingirá verdadeiramente um projeto sustentável ao nível energético.

Esta iniciativa é um projeto do governo dos Açores, em parceria com a elétrica açoriana EDA e o consórcio Green Islands, um dos principais projetos de investigação do programa MIT- Portugal.

 Autor: Parque Natural do Corvo