Regresso às origens!

 

Ano após ano, no início do mês de fevereiro, os cagarros escolhem os Açores para namorar, acasalar e criar os filhotes, que atingem a vida adulta por volta dos 7 anos de idade, podendo alcançar os 40 anos de longevidade.

O cagarro, ave emblemática dos Açores, é uma espécie protegida por legislação regional e por convenções internacionais.

Apesar dos Açores possuírem a maior população mundial da espécie Cagarro salvo_maio_020 (75%), a população europeia de cagarros tem vindo a diminuir nas últimas décadas.

O Governo dos Açores promove anualmente a Campanha SOS Cagarro (http://www.azores.gov.pt/gra/dram-soscagarro), entre 15 de outubro e 15 de novembro, através da Direção Regional dos Assuntos do Mar, com o apoio da Direção Regional do Ambiente e tendo como parceiros institucionais os Parques Naturais dos Açores e a Azorina, S.A., além de diversas entidades não governamentais e da crescente e significativa adesão das populações, em todas as ilhas.

O desenvolvimento da campanha, que decorre nos Açores desde 1995, visa alertar a população açoriana para a necessidade de preservação desta espécie protegida que nidifica no Arquipélago e está organizada em duas vertentes: a de Educação Ambiental e a de Conservação da Natureza, sendo a maior e mais antiga dos Açores, com estes propósitos.

Nos últimos anos, a campanha incorporou também uma vertente científica, através da criação das brigadas científicas SOS Cagarro, que recolhem informação de forma padronizada.

A informação recolhida por estas brigadas é disponibilizada a investigadores, que podem, assim, com mais conhecimentos, propor medidas mitigadoras da queda de cagarros juvenis. Nesse sentido, a Região tem participado em vários projetos no espaço dos arquipélagos da Macaronésia, de que é exemplo o LuMinAves e que envolveu nos Açores, Madeira e Canárias várias entidades públicas, centros de investigação e Organizações não Governamentais de Ambiente (ONGAs).

O empenhamento das pessoas e organizações na ação de resgate dos juvenis é, aliás, fundamental para que estas aves façam a sua migração, de milhares de quilómetros, rumo às zonas do hemisfério sul, e possam, um dia, regressar às suas ilhas de origem, quando adultos, para se reproduzirem.

Esta semana, o Parque Natural do Corvo realizou a recolha de um cagarro adulto saudável, que se apresentava anilhado. Este facto, despertou interesse e até entusiamo, durante o processo de averiguação no sentido de comprovar onde e quando, tinha sido anilhado.

No entanto, nesse mesmo dia e, após um Vigilante da Natureza ter recolhido os dados biométricos da ave e verificado o seu estado, foi libertada junto à costa. E foi com muita satisfação que, posteriormente, toda a equipa recebeu a informação, apurada pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, de que a ave tinha sido anilhada na ilha, durante a Campanha SOS Cagarro 2013, ano em que o Parque Natural do Corvo registou o salvamento de cerca de 600 aves juvenis!

Foto: Parque Natural do Corvo